Sobre os amores

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Esses dias parei pra pensar sobre os amores que temos na vida. Lembrei de várias pessoas a quem jurei amor eterno (não só de forma romântica) mas que hoje são apenas uma lembrança.

Geralmente já experimentamos o amor desde o nascimento: no primeiro contato com nossos pais, familiares e conhecidos de nossa família.

Até o início da nova vida escolar, somos rodeados por esse amor fraternal e conhecido. Então somos colocados em um ambiente totalmente novo e com pessoas que nunca vimos. Leva um tempo, mas começamos a criar laços: professores, colegas, funcionários, pais dos colegas etc.

Me lembro até hoje da minha primeira professora da pré escola. Não lembro do seu nome, mas seu rosto e gestos carinhosos estão claros na minha memória. Nós, nessa época, não entendemos como funciona exatamente o amor (muita gente não entende nem depois que cresce, incluindo eu mesma :P). Achamos que é uma sensação de posse e apego. Amamos tanto aquela pessoa que sofremos muito a nos separarmos. Depois sofremos ainda mais para nos abrirmos para novos amores.

Isso aconteceu exatamente quando meu primeiro ano da pré escola acabou. Odiei tanto ter que mudar de professora que isso influenciou na relação com a nova, que eu no primeiro momento considerei uma chata. O bom de ser criança é que essas besteiras passam mais rápido. Me apaixonei por essa professora também e Irma era seu nome. Isso quer dizer que amei mais ela do que a anterior? Não. Não é possível mensurar. Mas quer dizer que foi possível continuar amando mesmo sem estar junto, sem estar perto.

Passei por vários desses momentos depois, me apaixonei por minhas amigas e desapaixonei porque as coisas mudaram, porque o tempo passou ou porque a rotina atrapalhou e claro, porque eu também mudei, me afastei etc.

Quando vem o amor romântico então acho que ficamos um pouco pior com relação ao apego. Não queremos “dividir” esse amor nem com os amigos. O principal problema em se apegar, é acreditar na ideia de que tudo é para sempre. Claro, ninguém começa um relacionamento achando que vai dar errado, mas excluir completamente sua individualidade e se apegar como aquilo fosse tudo o que você tem, pode ser um grande problema ao se ver sozinho em algum momento. Podemos brigar, espernear e fazer o diabo, mas quando uma relação acaba não tem mais jeito, não há dúvidas, apenas a certeza de que precisamos seguir em frente.

Toda essa história serve para me lembrar (e nos lembramos) que muitos dos nossos amores não serão permanentes. Mas que mesmo com algumas dores e traumas, devemos continuar amando e nos entregando. Lembrando sempre que se amar primeiro é necessário, mas se abrir para o mundo e para novas situações é necessário.

Acho que quando amamos com o coração aberto, com todo nosso sentimento puro e respeitando a individualidade alheia, mesmo que haja uma ruptura no futuro, conseguimos seguir em frente, nos dando a chance de encontrar novos amigos, amores e deixar tudo o que passou no passado, como uma lembrança gostosa que consultamos de vez em quando.

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