O crush durou 5 estações

Eu embarco em Osasco.
Eu não sei de onde você vem porque já está lá quando eu chego.
Já é a segunda, terceira ou quarta vez que te vejo. Em sequência, são dois dias.
Nossa distância é de uma porta.

Você fica no lado esquerdo e eu no direito.
Aproveito os óculos escuros para dar uma espiada.
Não sei se você também olhou ou foi só impressão minha.
Ei, você tá olhando pra mim também?

Olho suas mãos em busca de provas para saber se você não é só mais um sem vergonha comprometido que fica paquerando por aí.
Não que o fato de você não ter aliança alguma também te isente, caso você já esteja em um relacionamento, mas aí não tenho como saber.

Olhei de novo e você estava me olhando.
Droga, tá me olhando mesmo?
Será que eu to com alguma coisa na cara?
Aproveito a tela do celular e dou uma conferida na fuça.
Tá tudo normal, acho que ele olhou mesmo.
Ou será que é estrábico?
Ou a estrábica sou eu?

Lá pela terceira estação você olha diretamente e mantém o olhar.
Eu tentei fazer o mesmo mas não é possível sem começar a rir.
Mas oras, você é uma mulher ou um rato?
É, eu sou o Hamtaro.

Pego o celular pra disfarçar a risada que segurei, como se estivesse vendo algo muito divertido.
Na verdade estou só olhando pra minha playlist do Spotify, que nunca foi tão engraçada como hoje.
E olha que eu tô ouvindo Slayer dizer que “Minhas cicatrizes são insanas, minha vida é profana” em Hate Wordlwide.

Pra falar a verdade, não prestei atenção na música, porque esse jogo de olhar e disfarçar tá bem melhor.
Coloquei uma bala na boca pra disfarçar os movimentos de riso.
Acho que não funcionou mas vamos manter a pose.
Aliás, você tá vendo que eu to te vendo, né?

Começo a me preocupar se tô viajando, já que to de óculos escuros e não sei se você notou que to te olhando também.
Vai que você acha que eu não to retribuindo.
Só que eu tô, tá?
Será que eu to com aquela cara de fula da vida que eu sempre uso ao andar por aí?
Preciso trabalhar nisso, já estou ficando com uma ruga enorme entre os olhos.

Pensei em mudar de porta.
Parece uma boa ideia, quem sabe isso encoraja o moço a falar um “oi”.
Quem sabe?
Minhas pernas parecem não estar acompanhando o diálogo do meu cérebro.
Elas nem se movem.

A hora de descer se aproxima.
Você tá olhando de novo.
Minha axila direita tá toda suada.
A vontade de gargalhar não passa.
“Estação Palmeiras Barra-Funda, desembarque pelo lado esquerdo do trem”

Eu desço.
Você desce.
Eu vou pela escada comum – tentando queimar umas banhas.
Você vai pela escada rolante.
Lá em cima você vai pro metrô e eu tenho que sair da estação.

Você foi embora.
Eu tenho que trabalhar.
Sinto que tenho 13 anos de novo.

Isso tudo pra dizer às vezes o crush só dura 5 estações mesmo.
Mas foi bom enquanto durou.
Tenha um bom dia (:

Eu fiz: Oficina de Giz

Nos dias 4 e 5 de março tive o prazer de participar da Oficina de Giz feita pela querida Cristina Pagnoncelli, artista visual e designer de Curitiba <3

Tenho me interessado pela área de caligrafia e lettering há mais ou menos 1 ano (desde que fiz o meu primeiro Workshop de Caligrafia), mas ainda não tinha feito nenhum trabalho usando giz e não me arrependi de ter participado desse curso. Ele é dividido em 2 dias e vou contar um pouquinho como foi a experiência 😀

Dia 1 – Módulo 1

No primeiro dia, o conteúdo é mais teórico. Pudemos falar um pouco sobre nossas vidas, carreiras e conhecemos um pouquinho também do trabalho e carreira da Cris, que é muito inspiradora.

Depois disso, aprendemos o básico sobre os materiais e superfícies. Até aprendemos a pintar corretamente placas de MDF com a tinta que simula giz, que é o Esmalte Sintético Preto Fosco para Madeiras e Metais (ele serve para paredes e qualquer outra superfície).

Além da tinta, os demais materiais são: lápis, papel, papel vegetal, régua, fita crepe e giz escolar. Sim, esse que você usou na escola. Além dele, claro, você também pode usar giz pastel seco (o oleoso mancha mais a parede e é mais complicado de trabalhar). Uma ótima dica foi usar um giz vendido nas lojas Daiso que custa apenas R$7,99 e as cores são BEM vivas.

Com tudo isso em mãos, conhecemos e aplicamos o formato de trabalho que a Cris usa em suas composições:

  • Buscar referências e separar destaques do conteúdo a ser trabalhado;
  • Definir elementos que irão compor a arte;
  • Fazer alguns pequenos estudos no papel;
  • Fazer uma medida em proporção com o espaço que será usado na parede, separando os espaços com régua e depois finalizando inicialmente o estilo das letras;
  • Fazer as mesmas medidas na parede com fita crepe ou fio de nylon;
  • Repassar a arte sem acabamento;
  • Realizar acabamentos e enfeitar as letras.

Com esse guia já conseguimos desenvolver uma plaquinha bem interessante – claro que a minha tinha que ter alguma coisa do Metallica <3

Mais uma turma gigante aqui em SAMPA! 👌💕

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Dia 2 – Módulo 2

No módulo 2 já focamos 100% na decoração e em como/onde buscar referências para construção das letras e elementos complementares: de um efeito de sombra até uma pequena ilustração, tudo isso do papel para o giz.

A Cris aproveitou para mostrar diversos de seus (lindos) trabalhos e também várias referências interessantes, principalmente livros essenciais para quem quer começar/melhorar seu trabalho de lettering:

The complete book of chalk lettering
Valerie McKeehan
Compre na Amazon (Referência de valor: R$56,94)

Daily Dishonesty
Lauren Hom
Compre na Amazon por (Referência de valor: R$44,51)

Hand Lettering Ledger
Mary Kate McDevitt
Compre na Amazon (Referência de valor: $59,57)


In Progress
Jessica Hische
Compre na Amazon (Referência de valor: R$88,54)

Esses foram os principais, mas ela indicou ainda mais livros complementares e também os profissionais que admira:

Livros

Referências

Depois dessa CHUVA de referências maravilhosas, fomos desafiados a produzir uma parede coletiva: nosso tema era Arte Urbana. A Cris sorteou uma palavra pra cada pessoa pensar na construção e decoração.

Foi um processo delicado mas delicioso. Além de trabalharmos juntos, tivemos que ter o cuidado de produzir artes equilibradas, que não brigassem entre si. Deixamos para “brigar” só pelo espaço, mas foi bem divertido! 😛

Tchurma toda reunida 😊

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Extras

  1. Sim, o giz sai da parede/placa se ficar colocando a mão. Na aula a Cris mostrou um verniz que ajuda a proteger um pouco mais, PORÉM, ele é importado, custa aproximadamente R$80 e apaga os efeitos mais legais do giz, como degradê por exemplo. Não compensa 🙁
  2. Para uma arte permanente e “segura” contra dedos 😛 O ideal é usar tinta ou caneta, ela mostrou a Posca, mas também conheço uma similar, que chama Zig Posteman. Elas tem vários tipos de ponta e funcionam bem em qualquer superfície.
  3. Usar caneta tira um pouco a flexibilidade de criar e apagar que o giz tem, mas é só trabalhar com um paninho com álcool que dá pra consertar logo em seguida ao erro.
  4. Você vai descobrir que as borrachas serão suas melhores amigas. Dá pra consertar pequenos erros da lousa e ainda fazer efeitos de sombra – nesse caso com uma caneta borracha <3
  5. É importante sempre limpar bem a lousa para evitar o efeito “fantasma”: quando a lousa fica com aquela mancha esbranquiçada. Nunca esfregue o pano molhado, sempre passe em um sentido e mude para um lado limpo.
  6. Lembre de lavar o pano na mão antes de colocar na máquina de lavar, giz vira gesso e você não quer quebrar sua máquina 😀
  7. Não é preciso nenhuma experiência para fazer esse workshop, mas nesse caso é ideal fazer os dois módulos para receber mais referências de onde e como começar.

Conclusão

Apesar de ser um curso de apenas 2 dias, é muito completo e motivador. Além de uma ótima profissional, a Cristina é uma ótima pessoa, daquelas que não mede esforços para passar conhecimento e dicas para cada pessoa, por igual.

Terminamos a aula todos emocionados, por sua história e por nosso resultado tão bacana. Além disso, sempre vou lembrar de suas dicas, principalmente sobre enfrentarmos nossa zona de conforto para mostrar para si mesmo e para o mundo que podemos ser e fazer o que bem entendemos. No final, o importante é buscarmos o que nos faz felizes <3

Se você também quer aprender e se jogar nesse MARAVILHOSO curso, em maio vai ter mais uma turma e se eu fosse você, ficava de olho pois as inscrições acabam muito rápido.

Pra conhecer mais o trabalho da Cris, acesse:

 

Salvar

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Livro lido: Faça amor, não faça jogo

Às vezes, as pessoas fazem jogo duro
porque precisam saber se os sentimentos do outro são reais.
Quantas vezes você quis dizer “eu gosto de você”, e não disse?

Dono do blog The Love Code, Ique Caravalho escreveu esse maravilhoso livro sobre amor, cotidiano e sobre a vida. Fiquei apaixonada por sua sensibilidade e principalmente pela relação tão estreita e respeitosa que teve com seu pai até o fim (ele tinha uma doença degenerativa e morreu há pouco tempo, mas além de inspiração, também escrevia muito bem).

Quando você sonha, a razão dorme e o coração acorda.
Então, deixe o seu coração guiar você.
Ele é o único que pode, um dia,
levá-lo até o maior sonho da sua vida.

O livro é todo composto de crônicas, lindamente separadas por “capas”, com o título e uma sugestão de música para ler o próximo texto. Achei isso tão delicado e como sou bem “musical”, resolvi fazer uma playlist no Spotify para quem quiser ouvir as músicas indicadas no livro (não encontrei todas, mas a maioria está lá) <3

Além disso, com ele acabei pensando muito sobre os tipos de relação que eu tive/tenho e as que gostaria de ter. Sobre respeito mútuo, sobre parar de seguir determinados “jogos” que essa sociedade tão fast food faz e sobre o tipo de pessoa que queremos perto de nós. Afinal, você quer alguém que faça jogos com os seus sentimentos ou que venha até sua porta pra dizer que sente saudade?

Veja mais informações sobre o livro

Também pensei muito sobre pararmos de ter vergonha do que sentimos, afinal, se uma outra pessoa não valoriza seu esforço, ela nem sequer merece que você continue insistindo, não? Então, assim como o título, vamos fazer mais amor <3

Onde começa a mentira termina a confiança.
O amor é uma escolha.
Não um sacrifício.
Entregue seu coração.

Ao longo da vida, você terá uma infinidade de conselhos e exemplos a seguir.
E uma infinidade de escolhas a fazer.
E isso é importante.
Mais importante que isso, porém, é ter a certeza de escolher a vida e a pessoa que você quer ser.

Naquele momento, descobri.
Quando olhar for mais forte que tocar, é amor.

Uma mulher não se apaixona pelas vezes em que você dá um presente.
Ela vai se apaixonar pelas vezes em que
você não for ausente e tiver coragem de dizer o que sente.

É só um querer e o outro bem querer.
No fundo, você sabe.
Pra tudo na vida é preciso apenas vontade.


Compre o livro por R$20,94 na Amazon <3
Faça amor, não faça jogo – Ique Carvalho
Páginas: 223
Nota: ★★★★★