Estou, mas não estou

Não estouVocê está sozinha, assiste um programa qualquer na televisão e zapeia pelas fotos do Instagram. Muitas vezes nem repara no que está vendo ou curtindo, mas só quer manter o cérebro fazendo alguma atividade.

A mente nunca está no mesmo lugar que o corpo e essa sensação é perturbadora. Por mais que você tente controlar, mais ela quer agir da maneira que você quer evitar.

Você está aqui hoje porque muita coisa e ruim aconteceu lá atrás, isso ninguém tem dúvidas e é uma realidade universal. Se hoje você tem a televisão, os móveis e até mesmo esse celular em suas mãos no quarto escuro, é porque teve muito esforço, transpiração, choro e risos.

No meio desses devaneios todos, a mente te leva rapidinho ao passado. Te faz uma linda e saudosa imagem daquilo tudo que você já “superou”. Daquilo que sim, foi muito bom, mas passou. Você precisa se “trazer de volta” com frequência, lembrando pelo menos umas 7 vezes que se passou, é porque acabou e/ou foi ruim de alguma forma.

Por que é tão difícil desprogramar o cérebro? Ou melhor, por que é tão difícil programar o cérebro pra estar aqui, no presente?

Na verdade, o problema nem é ir consultar as lembranças do passado, mas sim o “retorno”: a sensação de perda, de vazio. Mesmo que tudo tenha sido uma opção sua, você passa a se questionar e questionar e aquilo começa a virar algo muito louco e sufocante.

Há pouco descobri o contraste de lidar com o estado depressivo e a ansiedade. Um lado vem o medo, a indisposição, a fraqueza e a tristeza. Do outro, a eletricidade, a compulsão e a angústia. Como lidar com essas duas coisas quando nem sabemos onde estamos?

Mesmo agora, preenchendo esse vazio e esses pensamentos com as palavras, mesmo colocando tudo pra fora, você continua com a mente por aí, ao invés de firme, aqui.

Troco de canal, procuro outro aplicativo no celular e deixo o cérebro no automático até conseguir dormir.

2 comentários sobre “Estou, mas não estou

  1. Oi Vi, entendo muito bem o que vc disse ai neste texto tão tocante. Ansiedade crônica , é isso que que me acompanhou durante todo o ano de 2015 juntamente com minha terapeuta…porque mudar padrões de comportamento é dificil demais e quando vc percebe já entrou num turbilhão de emoções, medos e estresses que vc nem sabia que existia, mas estão lá! Espero que em 2016 isso tudo fique em 2015…rs…Bjs.

    1. Oi Jo, pois é. Pouca gente entende quanto é difícil mudar comportamentos quando se é muito ansioso. São mil coisas – geralmente péssimas – passando pela cabeça e não permitindo que a gente mude, que siga em frente. Também foram longos papos na terapia hahaha Espero também que tudo isso fique e que a gente vá pra frente. beijos!

Deixe uma resposta