Renascimento e recomeço

Viver é basicamente enfrentar alguns - ou muitos - leões (Zoo de Lujan - Argentina - 2013)
Viver é basicamente enfrentar alguns – ou muitos – leões (Zoo de Lujan – Argentina – 2013)

Sou uma romântica assumida e incorrigível. Sou daquelas que quando gosta, não hesita em começar a sonhar acordada e planejar coisas para o futuro. Não sei é bom ou ruim, mas quando penso em renascimento e recomeço, sempre lembro dos meus relacionamentos amorosos. Não criticando, mas não acho que nasci para os tipos de relacionamentos atuais, acho eles superficiais e destrutíveis. Por que isso é um problema pra mim? Porque eu não sei desistir das coisas que eu acho certo e vejo todo mundo desistindo na primeira pedrinha que encontra no caminho, substituindo as pessoas pelo o que consideram pessoas “mais fáceis”.

Em todos os meus relacionamentos, sempre fui até o fim. Até o fim MESMO. Até não haver mais possibilidades de reparar. Isso pode não ter sido bom, claro. Eu podia ter poupado bastante trabalho e sofrimento se eu simplesmente aceitasse mais rápido mas, em contrapartida, não teria renascido e recomeçado algumas vezes.

Acho que de todos os recomeços, esse é o que considero o mais difícil. É difícil seguir em frente deixando tantos planos pra trás, não é?. Tantas viagens não feitas, tantos beijos não dados… E sabe o que deixa ainda pior? Você ainda gostar da pessoa e ainda assim ter que renascer e recomeçar. Você só deseja consertar tudo e voltar pra zona de conforto tão conhecida, mas às vezes simplesmente não dá. Por mais que exista muita força de vontade, alguns relacionamentos se quebram como copos de vidro. Aí fica impossível colar sem deixar algumas marcas, marcas essas que podem em algum momento fazer o copo se quebrar novamente.

Outra parte complicada é que quanto mais uma pessoa marca sua vida, mais difícil é seguir em frente. Porque ela simplesmente não vai sumir, você SEMPRE vai lembrar dela, SEMPRE. Não porque você ainda a ame ou deseja ficar com ela, mas porque coisas boas não devem ser apagadas mesmo. Você simplesmente vai aprender a guardar aquilo com carinho e aceitar que a vida a partir de então será diferente e, claro, vai ser boa também. Mas no processo você vai confundir tudo e se perder mais um pouco, é normal. Vai passar.

Eu demorei muito tempo, muito tempo mesmo pra aceitar o fim do meu último relacionamento. Tive que pedir ajuda profissional. Pra me entender, pra me localizar, pra entender o que eu precisava fazer com a minha vida a partir daí. E aí que o meu “romantismo” virou um problema, eu esperava que as coisas durassem pra sempre, e elas simplesmente não duram.

Com esse fim, pude aprender ainda mais lições, recomeçar ainda mais vezes e aprender sobre coisas que talvez não teria discernimento para entender a aprender dentro do relacionamento que eu tinha. Também precisei cair mais vezes, pra entender que amor e companheirismo só existem naturalmente, não podem ser criados ou forçados e, que às vezes, ele vai ser natural e sincero, mas apenas vindo de uma das partes. Sad but true. Além disso, aprendi que sinceridade com você mesmo, vale mais que tudo.

Acho que a lição mais importante foi aprendida: algumas coisas vão parecer muito ruins, praticamente o fim do mundo, mas no fundo mostram algo que pode vir a ser a chave de entrada pra algo novo, que certamente será muito melhor.

Óbvio, não é fácil, você vai ficar em dúvida e vai sentir medo. Mas quer uma dica? Abraça o medo e segue em frente assim mesmo =)

Este post faz parte da blogagem coletiva do grupo Rotaroots
"O Rotaroots tem o objetivo de resgatar a época de ouro dos blogs pessoais, incentivando a produção de conteúdo criativo e autoral, sem ser clichê e principalmente, sem regras, blogando pela diversão e pelo amor."

Deixe uma resposta