Livro lido: Metallica – a biografia

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Depois de um longo e tenebroso inverno sem postar, voltei =D

Falar do Metallica, pra mim, nunca é demais. Comecei a ouvir a banda em 2001, graças ao meu primo (obrigada por me mostrar o caminho da luz, Márcio). O CD escolhido para o empréstimo foi o Black Album. Não sei exatamente qual foi o critério para o empréstimo,  quer dizer, claro que é um dos melhores álbuns da banda, mas gosto de pensar que pode ter sido pela proximidade do lançamento do álbum com a minha data de nascimento. No fim, ouvi tanto o CD que acabei ganhando ele de presente <3

Pois bem, 15 anos, três shows e duas tatuagens depois, o vício ainda não passou e então me dei a chance de ler a biografia, escrita por Mick Wall chamada Metallica: a biografia.

Acho que já conhecia uns 80% das histórias, mas não de uma forma tão cronológica e muito menos de forma tão intensa e realista. Até mesmo quando lançaram álbuns considerados ruins ou quando a postura da banda mudou para algo que consideraram “comercial” demais, pude entender melhor o que aconteceu graças ao livro. Ficou claro que tudo teve uma razão de ser e, depois de terminado, conclui que se essas coisas “estranhas” da banda não tivessem acontecido, talvez ela não existisse mais.

“Enquanto atravessava o público para chegar na frente, James lembra de ter ficado “impressionado” pelo fato de Steven Tyler, vocalista do Aerosmith, ter chamado a platéia de “filhos da puta”. Pensei: “Ei, você pode fazer isso?”

Uma coisa bacana – que particularmente recomendo – é ler o livro e ouvir aos álbuns conforme a leitura vai retratando os lançamentos. Foi uma experiência muito legal, me senti totalmente transportada para os anos 80 e em todos aqueles shows loucos que eles fizeram no começo da carreira. Além disso, também é possível conhecer bandas clássicas e outras que começaram junto com eles, por exemplo: UFO, Saxon, Slayer, Anthrax, Mercyful Fate, Aerosmith, entre outras.

Já um ponto triste, é ler sobre a morte trágica de alguém tão especial como Cliff Burton. Ele era apenas um jovem que usava calças boca de sino, mas era extremamente profissional e centrado. Definitivamente, o Master of Puppets só nasceu graças à sua personalidade e influência sobre os colegas – tão loucos e irresponsáveis na época.

Ainda de acordo com James, Cliff era “um cara maluco, meio hippie, que tomava ácido e usava calça boca de sino. Ele era muito sério e não queria saber de enrolação. Eu queria ter o respeito que ele tinha. Falávamos um monte de merda sobre as bocas de sino todos os dias. Ele não queria nem saber. ‘É isso que eu visto. Vão se foder’”

Depois da morte do colega, a banda não se permitiu curtir o luto e logo estavam na estrada com o novo baixista, Jason Newsted. Eu não tive chances de curtir essa fase, nem sua personalidade – que aprendi a apreciar depois – mas nesse ponto da história eu fiquei puta com todos. Como não sofreram a morte do Cliff, descontaram essa frustração no novo integrante. Eles aceitam, hoje, que trataram ele muito mal, mas infelizmente não tinham maturidade para perceber que tinham que se tratar e superar aquilo de uma forma melhor (o que só aconteceu em meados de 2004, quando o James se internou para reabilitação e eles fizeram terapia em grupo – tudo retratado no documentário Some Kind of Monster).

Mais importante, assim como o Zeppelin, o Metallica se arriscou em todos os discos que lançou, podendo ter perdido seus fãs mais devotos ao tentar algo novo e interessante, mesmo quando isso quase os matou. “Isso será parte do nosso legado para sempre”, sentenciou Lars.

De uma forma geral, é possível ver como a banda e suas músicas são retratos fiéis do que eles são. Próximo ao final, é possível ver como eles se esforçaram para retomar toda aquela força que eles tinham quando eram só meninos malucos, mas agora de forma mais madura. Se você acompanha a banda e ouviu o último álbum lançado, consegue sentir como esse tratamento em conjunto foi importante para a evolução da banda.

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Para Kirk Hammett: “Era muito importante que atravessássemos toda essa bosta que tínhamos de passar, porque, no final, nos tornamos pessoas melhores; além disso, mais sábias e mais conscientes de como o Metallica é frágil, muito frágil. Temos um ditado que tiramos dos quadrinhos: você nunca está a mais de trinta segundos do caos e do desastre completo. Quero dizer, em trinta segundos, tudo pode ir pro saco. Então, nós nos forçamos para aprender como apreciar o que temos, muito mais do que antes, quando parecia que éramos invencíveis. Estamos em um ótimo momento e passamos por um momento difícil, mas ainda estamos juntos.

“Matriculado no colegial em Newport Beach, na Backbay, ele era o aluno estrangeiro de sotaque engraçado e gosto esquisito por roupas e música.” – Sobre Lars Ulrich

Segundo Marsha Z, “James nunca quis ser o frontman. Ele queria dar um passo para trás e ser apenas guitarrista. Mas… Ele topou. E, ao topar, James se tornou o James. Acho que sua verdadeira personalidade veio à tona quando ele assumiu essa função de modo permanente. Foi quase como se isso, por mais estranho que pareça, tivesse lhe dado outra voz.”

“É por isso que James e eu nos tornamos tão bons amigos, pois ambos tínhamos problemas sociais”, prosseguiu Lars (…)” – Lars sobre James

“Quando ele e Lars toaram pela primeira vez, eu o achei o pior baterista que já tinha ouvido”, Ron mais tarde contaria a Bob Nalbandian.”

Pode-se afirmar, na verdade, que Dave Mustaine era o elo perdido entre a personalidade ultraconfiante “viva eu” de Lars Ulrich e a emocionalmente frágil, de cara feia, de James Hetfield.

Metallica: a biografia - Mick Wall
Nota: ★★★★★
Páginas: 444
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